Sociobioeconomia em primeira pessoa: vozes dos territórios ganharam espaço no BAS 2026

A realização da COP30 em Belém reforçou o papel estratégico da Amazônia nas agendas globais de clima e desenvolvimento, ampliando a atenção de governos, investidores, empresas e organizações para o potencial da sociobioeconomia.

Bárbara Pachêco, pesquisadora e CEO da VerdeNovo Sementes Nativas nas discussões sobre restauração e cadeias de sementes.

Ao mesmo tempo, esse novo contexto traz o desafio de garantir que o aumento do interesse pela região seja duradouro e acompanhado pelo fortalecimento do protagonismo de quem constrói soluções nos territórios.

Essa é uma agenda que a NESsT vem impulsionando há anos por meio do apoio a empreendedores e organizações comunitárias da Amazônia. Mais do que fortalecer negócios, a atuação também busca ampliar a participação desses atores em fóruns de decisão, articulação e debate, onde são discutidos investimentos, políticas públicas e estratégias para o desenvolvimento da região.

Foi nesse contexto que a NESsT participou do Bioeconomy Amazon Summit (BAS) 2026, levando representantes de negócios do portfólio para contribuir diretamente com discussões sobre desenvolvimento territorial, financiamento, restauração, cadeias produtivas da sociobiodiversidade e o futuro da sociobioeconomia amazônica.


Participação ativa nos debates do BAS

A atuação da NESsT e dos negócios do portfólio não se limitou à presença no evento. Ao longo da programação, empreendedores e lideranças apoiados pela organização contribuíram diretamente para debates centrais da agenda da sociobioeconomia.

Mariana Lima, gerente do Fundo Lírio no Brasil

Entre os destaques estiveram a participação de Naianny Maia, Sócia Fundadora da Cacauaré, e Maurílio Gomes, sócio administrador e fundador da Apoena, no painel "A Bioeconomia que Nasce nos Territórios"; de Adeilson Gomes de Souza, conhecido como “Dedeco”, presidente da Coopersapó, e Keivan Hamoud, diretora administrativa da ASSOAB, no painel "Vozes do Território"; e de Bárbara Pachêco, pesquisadora e CEO da VerdeNovo Sementes Nativas, nas discussões sobre restauração e cadeias de sementes.

A NESsT também esteve presente na programação por meio de Tiana Lins, diretora da organização no Brasil, que moderou o painel "Vozes do Território", e de Mariana Lima, gerente do Fundo Lírio no Brasil, que participou das discussões sobre mecanismos de financiamento para a sociobioeconomia. Além disso, a organização realizou o lançamento da Nota Técnica "Negócios da Sociobioeconomia: Projeto Piloto de Visibilização Financeira da Contribuição Socioambiental e Produtiva de Negócios Híbridos na Amazônia".

Os temas debatidos ao longo da programação dialogavam diretamente com desafios enfrentados pelos empreendedores da sociobioeconomia em seus territórios. Financiamento, logística, rastreabilidade, acesso a mercados, distribuição de produtos da sociobiodiversidade, restauração e desenvolvimento territorial estiveram entre os assuntos discutidos por investidores, governos, organizações de apoio e lideranças comunitárias.

Naianny Maia, Sócia Fundadora da Cacauaré, e Maurílio Gomes, sócio administrador e fundador da Apoena, no painel "A Bioeconomia que Nasce nos Territórios"

Para Maurílio, da Apoena, a participação no evento demonstrou a importância de ampliar a presença dos empreendedores da sociobioeconomia em espaços de discussão e articulação do ecossistema.

"A participação da NESsT na curadoria do evento possibilitou que a gente estivesse inserido em discussões muito importantes dentro do ecossistema da bioeconomia. Participamos de painéis com organizações como Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA), Instituto de Conservação e Desenvolvimento da Amazônia (IDESAM) e Impact Hub, o que trouxe conexões e colaborações muito relevantes para a gente."

Segundo ele, além dos debates, o evento também abriu espaço para novas conexões e oportunidades de colaboração.

"Voltamos muito felizes e gratos por todas as experiências proporcionadas, pelas reuniões, pelas trocas, pelas amizades e pelas novas conexões que conseguimos construir dentro do ecossistema durante os encontros realizados em Belém."

Voltamos muito felizes e gratos por todas as experiências proporcionadas, pelas reuniões, pelas trocas, pelas amizades e pelas novas conexões que conseguimos construir dentro do ecossistema durante os encontros realizados em Belém.
— Maurillo Gomes, CEO, Apoena

A importância de ampliar as vozes dos territórios

Para Keivan Hamoud, diretora administrativa da ASSOAB, participar do BAS foi uma oportunidade de levar a perspectiva de quem atua diretamente na cadeia da sociobiodiversidade amazônica para um espaço de alcance nacional e internacional.

Adeilson Gomes de Souza, conhecido como “Dedeco”, presidente da Coopersapó, e Keivan Hamoud, diretora administrativa da ASSOAB, no painel "Vozes do Território"

"Poder falar sobre os desafios enfrentados nos territórios, mas também sobre as soluções que já estão sendo implementadas pelas organizações comunitárias, foi algo muito importante."

Segundo ela, o apoio da NESsT contribuiu para ampliar a presença das organizações de base amazônicas em um ambiente estratégico para o setor.

"O apoio da NESsT foi fundamental para fortalecer a participação da ASSOAB nesses espaços. Acredito que esse suporte favoreceu não apenas a nossa presença no evento, mas também a ampliação da voz das organizações de base amazônicas."

Poder falar sobre os desafios enfrentados nos territórios, mas também sobre as soluções que já estão sendo implementadas pelas organizações comunitárias, foi algo muito importante.
— Keivan Hamoud, ASSOAB

Para Dedeco, da Coopersapó, a participação de produtores, cooperativas e organizações comunitárias é essencial para que os debates estejam conectados à realidade da Amazônia.

"Quando a gente fala de mudança climática, agricultura e sociobioeconomia da floresta, tudo isso tem a ver com a vida da gente. Se não tiver os atores do território participando, eu acho que não tem graça."

Ele também destacou a importância de discutir não apenas os produtos da floresta, mas todo o contexto social, cultural e ambiental que sustenta essas cadeias produtivas.

"Eu sempre digo que a gente não vende só o guaraná. A gente vende a nossa história, a nossa tradição. Quando a gente fala disso, a gente está falando também do trabalho que fazemos lá no território, da forma como convivemos com a natureza e da forma como respeitamos ela."


Uma agenda que continua

A participação da NESsT no BAS 2026 foi mais um capítulo de uma atuação que busca fortalecer a presença dos empreendedores da sociobioeconomia nos espaços onde o futuro da Amazônia e do planeta estão sendo debatidos.

Mais do que garantir presença em grandes eventos, trata-se de criar oportunidades para que cooperativas, associações e negócios da sociobioeconomia contribuam diretamente para debates sobre desenvolvimento territorial, conservação, geração de renda, acesso a mercados e financiamento.

Em um momento em que a sociobioeconomia ganha relevância crescente nas agendas nacionais e internacionais, ampliar a participação de quem constrói essas soluções nos territórios continua sendo uma condição essencial para que o desenvolvimento da Amazônia seja efetivamente inclusivo, sustentável e conectado à realidade local.

É esse compromisso que segue orientando a atuação da NESsT junto aos empreendedores do seu portfólio e aos diferentes espaços de articulação do ecossistema.